
Quer que a gente monte essa viagem para você? A cotação da BSS não custa nada.
QUERO MINHA COTAÇÃOQuem já organizou uma viagem para alguém que usa cadeira de rodas, viaja com cão-guia ou precisa de apoio médico sabe onde o processo trava. Não é falta de regra. É que a regra está espalhada: uma página fala de cadeira, outra de atestado, outra de acompanhante, e ninguém junta as peças para você.
Este guia junta. Cada sigla aparece com a tradução ao lado, do mesmo jeito que a gente explica no WhatsApp.
O que é assistência especial, sem jargão
Assistência especial é o apoio que a companhia aérea e o aeroporto organizam para a pessoa fazer a viagem inteira com segurança: check-in, despacho de bagagem, deslocamento no terminal, embarque, conexão, desembarque e a saída até a área pública.
Na linguagem da ANAC, quem precisa desse apoio é o PNAE, sigla de Passageiro com Necessidade de Assistência Especial. A base é a Resolução 280 da ANAC, que vale para voos domésticos e internacionais operados no Brasil. Traduzindo: não é cortesia da companhia, é obrigação prevista em norma.
O erro mais comum é achar que assistência especial funciona como um pacote único, que se liga ou se desliga. Não funciona. Você monta o pedido conforme a necessidade real de quem vai voar.
Quem pode pedir?
A lista é maior do que parece. Entram pessoas com deficiência física, visual, auditiva, intelectual ou psicossocial. Entram pessoas com mobilidade reduzida temporária, como quem operou o joelho há três semanas. Entram idosos, gestantes, pessoas com autismo, passageiros que usam equipamento médico e quem viaja com cão-guia.
Guarde uma separação que evita frustração: precisar de assistência no aeroporto é uma coisa, ter direito a acompanhante com desconto é outra. Muita gente precisa de cadeira de rodas até o portão e voa com total autonomia depois de sentada. Esse passageiro tem assistência, e não necessariamente acompanhante subsidiado.
Os três prazos que você precisa guardar
Vinte e quatro horas é o que a LATAM pede para reservar a cadeira de rodas do aeroporto e para avisar que você vai levar a sua própria cadeira. O pedido é feito pela Central de Vendas e Serviços.
Quarenta e oito horas é o prazo da LATAM para o envio do MEDIF, o formulário médico. Vale também para os formulários do DOT quando o voo passa pelos Estados Unidos com cão de serviço, e é o prazo que a ANAC dá para a companhia responder por escrito a um pedido de acompanhante.
Setenta e duas horas é a antecedência mínima que a Resolução 280 estabelece quando o pedido envolve acompanhante ou documentação médica.
Nossa posição é a de quem já viu pedido se perder na véspera: trate 72 horas como piso e faça a solicitação no mesmo dia da compra. Prazo mínimo é o limite legal, não o momento ideal.
Cadeira de rodas: a do aeroporto e a sua

A cadeira que o aeroporto empresta
A LATAM informa que o serviço leva o passageiro do balcão até o portão de embarque ou até a poltrona do avião e, na chegada, do avião até o portão de saída do terminal.
A companhia também deixa escrito que o serviço não significa custódia permanente do passageiro em uma cadeira de rodas. Na prática, é um traslado com começo e fim, e não um acompanhante particular durante as quatro horas de espera.
Por isso, na hora de pedir, não diga apenas que quer cadeira de rodas. Diga o que a pessoa consegue fazer sozinha e o que não consegue: caminhar distâncias curtas, subir degraus, passar da cadeira para a poltrona, ir ao banheiro, esperar sozinha, fazer a conexão. Quanto mais concreto o pedido, menor a chance de faltar equipamento.
Sua própria cadeira
A LATAM transporta a cadeira do passageiro sem cobrar, e ela não ocupa a franquia de bagagem, desde que a companhia seja avisada com pelo menos 24 horas. A cadeira acompanha você até a porta da aeronave quando a operação permite, e depois segue no compartimento de carga.
Cuidados que aprendemos na prática: fotografe a cadeira aberta e fechada antes de entregar, retire almofada e acessórios que soltam, e leve a ficha técnica dela junto com os documentos da viagem.
Cadeira motorizada e a conta da bateria
Aqui a regra é de segurança aérea e não abre exceção. A LATAM informa que a bateria de lítio fixada à cadeira não pode passar de 300 Wh. No caso de duas baterias, cada uma pode ter até 160 Wh, ambas fixadas à cadeira.
Wh significa watt-hora. Pense nele como o tamanho do tanque da bateria: quanto maior o número, mais energia ela armazena. Esse valor costuma vir impresso na etiqueta, e é o número que a companhia vai querer ver.
A bateria sobressalente viaja na bagagem de mão, na embalagem original, com os terminais cobertos por fita e a capacidade identificada, dentro do limite de conteúdo de lítio informado pela companhia. Outro detalhe operacional: saindo do Brasil, a LATAM indica que dá para emitir o cartão de embarque pelo site ou aplicativo, mas em voos fora do Brasil com cadeira a bateria a emissão acontece no aeroporto.
WCHR, WCHS e WCHC: os códigos que decidem o seu embarque
Dentro do sistema das companhias, o tipo de assistência vira um código de três letras. Você não precisa decorar, mas precisa saber qual é o seu, porque é ele que define o equipamento que vai estar esperando no portão.
WCHR é o código de quem precisa da cadeira para as distâncias longas do terminal, mas consegue subir e descer escada e caminhar até a poltrona.
WCHS é o de quem não consegue subir nem descer escada, e caminha da porta do avião até a poltrona.
WCHC é o de quem não caminha e precisa de ajuda até a poltrona, o que normalmente envolve a cadeira estreita que passa no corredor do avião.
Um pedido classificado como WCHR quando na verdade era WCHC é a causa mais comum de embarque atrasado e constrangimento no portão. A cadeira de corredor simplesmente não foi separada.
MEDIF: o formulário médico, explicado
MEDIF é a sigla de Medical Information Form, o formulário padrão que o médico preenche quando a companhia precisa avaliar se o passageiro está apto a voar ou de que apoio ele precisa.
Nem toda pessoa com deficiência precisa de MEDIF. Ele costuma entrar quando há cirurgia recente, uso de oxigênio, necessidade de maca, dúvida sobre aptidão para o voo ou pedido de acompanhante com desconto.
O caminho na LATAM é o formulário da Central de Ajuda: você seleciona "Quero fazer uma solicitação", escolhe o requerimento "Documentação para viajar", anexa o MEDIF e envia com pelo menos 48 horas de antecedência. Depois disso, a equipe médica da companhia avalia.
O que faz o pedido ser aprovado ou travar é o preenchimento. O formulário não quer só o diagnóstico, quer autonomia: se a pessoa come sozinha, se vai ao banheiro sozinha, se tem controle de esfíncter, se compreende instruções de segurança, como é a conduta durante o voo. Peça ao médico que descreva função, não apenas nome de condição. E confira o básico antes de enviar: data, assinatura, carimbo e CRM.
FREMEC: o que é, e o que a LATAM publica de fato
FREMEC é a sigla de Frequent Traveller Medical Card, uma espécie de carteirinha médica para quem tem condição crônica e estável e voa com frequência. A lógica é evitar que a pessoa refaça todo o processo de atestado a cada viagem, dentro da validade aprovada. No mercado brasileiro, a GOL documenta o FREMEC publicamente, com formulário preenchido por médico, análise da equipe médica e número enviado por e-mail.
Na LATAM, o cenário é outro. Nas páginas brasileiras de atendimento especial e no formulário MEDIF em português, não encontramos o FREMEC descrito com requisitos, validade e prazo. A página de atestados médicos da companhia cita a existência de uma opção de certificado para passageiro frequente, sem detalhar as condições.
A conclusão prática é direta: não compre passagem contando com um FREMEC que ninguém confirmou para você. Pergunte à LATAM, peça a resposta por escrito com número de protocolo, e só depois planeje as próximas viagens em cima disso.
Acompanhante com 80% de desconto: quem tem direito
Este é o tema que mais gera expectativa, e também o que mais gera negativa.
A LATAM informa, citando a Resolução 280 da ANAC, que o cliente com deficiência ou mobilidade reduzida que não consegue atender às próprias necessidades fisiológicas sem assistência deve viajar acompanhado, e que o acompanhante pode ter desconto de 80% sobre o valor do bilhete pago por esse passageiro. O pedido é feito com antecedência mínima de 48 horas, com MEDIF, para avaliação médica. O desconto se aplica a voos domésticos no Brasil e a voos internacionais originados e comprados no Brasil.
Pelo outro lado, a norma da ANAC limita a cobrança do assento do acompanhante a 20% do valor do bilhete, que é exatamente o mesmo desconto visto pelo avesso. A norma também determina que a companhia responda por escrito, em até 48 horas, aos pedidos de acompanhante.
Diagnóstico sozinho não garante o benefício. Autismo, idade avançada ou deficiência não bastam por si. O que decide é a necessidade funcional descrita no MEDIF, dentro das hipóteses da norma. E se vier negativa, peça a justificativa por escrito, porque documento na mão é o que sustenta uma reanálise.
Cão-guia e cão de serviço

Fora dos Estados Unidos, a LATAM aceita na cabine, sem cobrança adicional, o cão treinado individualmente para executar uma tarefa em benefício do passageiro com deficiência ou condição de saúde. O animal precisa ter no mínimo 16 semanas e certificado de treinamento de organização reconhecida. Ele viaja aos pés do passageiro ou sob a poltrona, sem bloquear corredor nem saída de emergência. A Resolução 280 também garante o transporte gratuito do cão-guia no piso da cabine, ao lado do dono.
Em voos de, para ou passando pelos Estados Unidos, a regra é a do DOT, o Departamento de Transportes americano. São exigidos formulários específicos, com um documento adicional quando o voo passa de oito horas, enviados pela Central de Ajuda com pelo menos 48 horas de antecedência. Leve as vias impressas ou digitais para o embarque.
Uma confusão que sai cara: animal de apoio emocional não é cão de serviço. Nas rotas com os Estados Unidos, o DOT não reconhece o apoio emocional nessa categoria, e a LATAM aceita o conceito apenas em rotas determinadas. Confirme antes de comprar, não depois. Em viagens internacionais, essa checagem entra junto com a de documentos e vistos.
E se a assistência falhar no dia?
Acontece, e o que salva é registro. Resolva primeiro no local: peça o registro da ocorrência, o número do protocolo e a presença de um supervisor. Anote horário, número do voo, aeroporto e nomes. Fotografe o que der para fotografar.
Depois, abra um caso na Central de Ajuda da LATAM. Se não houver solução, os canais de defesa do consumidor e o registro na ANAC são os passos seguintes.
Se a cadeira de rodas voltar danificada, registre a ocorrência antes de sair da área de bagagens. A norma trata a cadeira como equipamento essencial de locomoção e não como mala comum, e é por isso que a reclamação feita ali, com documento, tem peso diferente da feita três dias depois por telefone.
Checklist antes de viajar
- Localizador da reserva salvo, com o trecho de cada voo e a companhia que opera cada um
- Assistência pedida no canal certo, com protocolo por escrito
- Código correto definido: WCHR, WCHS ou WCHC
- Cadeira própria informada, com ficha técnica e Wh da bateria anotados
- MEDIF enviado com 48 horas, preenchido com autonomia e não só com diagnóstico
- Acompanhante solicitado com 72 horas e resposta por escrito guardada
- Cão de serviço com certificado e, em rota dos Estados Unidos, formulários do DOT
- Conexões com folga real, porque assistência exige tempo
- Documentos médicos em papel e no celular
Quem compra a passagem aérea com a gente já sai daqui com esses pedidos abertos e os protocolos guardados. É trabalho de bastidor e não aparece no preço, mas é o que faz o dia do voo ser só o dia do voo.
Perguntas frequentes
Pedir assistência especial não é pedir favor. É organizar uma viagem que precisa acontecer com previsibilidade, e isso se resume a pedir cedo, descrever necessidade em vez de citar diagnóstico, e guardar tudo por escrito.
Se a viagem envolve conexão, voo internacional, cadeira motorizada ou acompanhante, vale ter alguém cuidando dos protocolos por você.
A BSS abre os pedidos de assistência, guarda os protocolos e confere se tudo entrou na reserva antes do embarque. Conte o caso para a gente e receba a cotação sem compromisso.

